You're gonna become an old man, filled with regret, waiting to die alone.

sou frequentemente atormentado por murmúrios que sequer foram ditos

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desde que a partida daquele cujo nome não digo se consumou, percebo-me como um errante entre aqueles a quem eu deveria mais me incumbir.

até que este momento eu esteja cercado de almas benignas, meu juízo pondera sobre os tímidos sinais que se condensaram no decurso do tempo. outrora sentia-me albergado, benquisto, apreciado; porém, os conceitos que neste instante abrangem o meu crânio pensante são de imaculada dissonância, como se eu tivesse sido deixado à margem por uma âncora invisível.

este desalinho, tão antigo quanto meus próprios medos, retorna com insistência, mortificando-me a cada pôr do sol.

mas dentre a miríade de inquietações que me visitam, há uma que mais me fere: o incômodo de sentir-me apenas tolerado. como se minha presença fosse uma brisa quente que se aceita por educação, não por desejo. e enquanto os risos ecoam ao redor, percebo em cada desvio de olhar, em cada pausa demasiado longa, as entrelinhas que jamais ousaram a ser pronunciadas. é nelas que repousa a verdade que não me dizem.

a dúvida, essa velha parasita, instala-se novamente em meu peito. interroga-me sem descanso. questiona-me se tais percepções são delírios de um espírito fatigado ou se, de fato, há uma cortina sendo lentamente erguida entre mim e os demais. e por mais que eu busque razões palpáveis, encontro apenas sombras que se movem ao meu redor.

talvez eu tenha alimentado interações irreais, versões mais aprazíveis e delicadas daqueles que hoje se mostram tão distantes. talvez eu tenha construído castelos de afeto onde só havia terreno neutro. e agora, diante do silêncio que me cerca, resta-me observar as ruínas dessas expectativas, aceitando que não pertenço como pensei pertencer.

seja como for, sigo caminhando entre estes rostos tão familiares quanto estranhos, desejando apenas descobrir se ainda há algum lugar onde minha alma possa repousar sem sentir-se estrangeira.